Sinto que estou perdendo o juízo. A cada dia me entorpeço mais e me controlo menos. Há muito tempo deixei os ataques de pânico para trás, e agora eles se fazem presentes cada vez mais constantes. É horrível me sentir impotente, sem controle do meu próprio corpo. Desejar parar, respirar e me acalmar, mas tudo que meu corpo quer é tremer, meus pulmões se recusam a reconhecer a entrada de oxigênio e meus músculos se retesam ao ponto da dormência, o que dificulta o controle, pois não sinto a mim mesma. Entro em pânico mais ainda por reconhecer minha impotência e falta de controle. Meu corpo se exausta. Tudo gira numa enorme confusão ao meu redor, não consigo me focar. Me envergonho pelo descontrole. É embaraçoso me perder assim em mim. Ao mesmo tempo em que não vejo nada, ouço tudo. Fecho meus olhos e a sensação é de que nunca mais sonharei. A escuridão me encara e fico incerta de que realmente existe algo real, ou se a realidade não passa de mera ilusão. Machuca abrir os olhos, machuca tentar raciocinar. Dói tentar me mover, dói tentar falar. É como se eu tivesse que subir uma enorme escadaria, mas subo com pesar, porque sei a queda que me aguarda no fim. Não temo os monstros de fora, pois já possuo muitos aqui dentro, e nesses momentos eles me assustam. Com a criança aterrorizada que fui, retorna o sentimento de pavor do escuro, o desejo de não estar sozinha nunca mais. O medo me cega e abrir os olhos se torna a tarefa mais difícil do mundo, pois uma vez abertos, temo ter somente a mim para socorrer-me do que me tornei.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Encaro a platéia desanimada que espera que eu os entretenha. Tenho alguns truques na manga, espero ser suficiente. No centro do picadeiro, me desdobro em mil para conseguir chamar a atenção do meu exigente público. Palhaço, mágico, equilibrista, domador. Por alguns minutos os tenho, o foco é meu. As luzes me cegam, mas meus olhos se acostumam aos poucos ao excesso de luminosidade. Destaco alguns pares de olhos curiosos, que me seguem pelo palco, mas logo se distraem. Não é suficiente. Encaro o público novamente, esgotando minhas opções. Escrevo, toco, canto. Me desespero para tentar ter a atenção de todos e sei que falho. Furiosa comigo mesma, reconheço que não tenho talento para a vida circense. Minha tarefa era simples, e ainda assim, consegui falhar. E quanto mais me esforço para direcionar os holofotes para mim, mais eles se desviam para outros cantos, onde não posso alcançar, onde sou invisível. Meu fiasco espetáculo diário termina e mais uma vez as cortinas se fecham para um público apático e alheio. Repito o mantra de que amanhã será diferente, mesmo não acreditando muito nisso.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
E eu ali, na minha necessidade sádica, espreito seus passos. Rondando-te como fera que acua presa fácil. Em silêncio, observo minha frágil presa. Não será hoje porém o confronto. Não. Meu sadismo me diz para ser paciente, então apenas olho de longe, como se estivesse alheia ao que me ocorre. Esperando um deslize talvez, um pequeno erro de cálculo que te provará que você andou em círculos à minha volta durante todo esse tempo. Mas reconheço o meu sadismo de esperar o momento, e reconheço o seu sadismo de retroceder sempre. De ir em busca do que já não está ali, só para talvez ter algo do que recordar, não sei. Não posso falar por você. Posso falar por mim, aqui sentada pacientemente. Não entrarei em confronto pelas mesmas velhas razões de sempre. Sou leão, mas não faminto. Posso esperar pela próxima refeição o tempo que se espera por uma vida. Ciente e consciente do que falo e observo. Sempre de olhos abertos, mesmo enquanto durmo.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Quando desliguei o telefone pra lá das 04h00 da manhã, eu disse que sonharia com você, apenas pela certeza de que sua imagem linda, clara, fascinante, jamais sairia da minha cabeça... Ao me deitar eu estava pensando em ti, eu não sei se é sonho, eu não sei mesmo o que acontece, mas eu te sinto sempre, até enquanto durmo, sinto seu toque, sua voz, seu sorriso. Sinto e vejo tudo, meu misto de sonho e realidade, por que demorou tanto pra chegar? Eu guardei um sonho bom pra ti, essa noite toda, foi perfeita, eu estive com você, da forma mais incrível, toquei seu coração, te dei o meu, e recebi o seu. Ao amanhecer sua imagem continuava nítida em minha mente, meio sonolenta acabei despertando pelo vibrar do celular, e era você. E tem sido você, e vai continuar sendo você. Por tanto tempo eu quis, e então você chegou.
- Caio Fernando Abreu.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Eu sou detalhista. Te disse isso algumas vezes, e torno a repetir. Eu sou detalhista. Isso quer dizer que eu presto atenção em tudo o que você diz ou faz. Eu presto atenção em você. E às vezes eu vejo mais coisas do que eu queria ou gostaria de ver, mas eu sou detalhista e me apego nos detalhes, mesmo aqueles que me doem, porque mesmo os minúsculos detalhes me saltam aos olhos como se fossem enormes, e fico sem opção de não vê-los. Por vezes, isso me faz tão mal que eu fico paranóica, eu tento me apegar à outras coisas, mas os detalhes do que eu vejo me cegam e só vejo aquilo. E então eu vou em busca das respostas que não quero, mas frequentemente acho. E me desaponto. E me chateio. E os detalhes se confirmam. E eu me sinto culpada. E fico mal. E fumo. E volto a pensar no quão me odeio por ser detalhista. E fumo. Minha cabeça cheia de minhocas, fico tentando achar uma explicação que me satisfaça, que não me corroa. Quase nunca acho. E fumo. E decido conversar contigo, mesmo me prometendo que não voltaria a te encher o saco com as minhas paranóias, lá vou eu rumo a você com a cabeça cheia delas. E o coração cheio de medo. E me sinto culpada por quebrar minhas promessas. Mas eu sou detalhista. E sou péssima mentirosa, portanto, preciso de verdades para sobreviver. E de um cigarro.
domingo, 25 de junho de 2017
I love her, Nick. I love everything about her. And I'm not the kind of guy who says that lightly, I'm the kind of guy who has faked love his entire life. I thought love was just something idiot stuff they felt. But this woman has a hold on my heart that I could not break if I wanted to. And there had been times that I wanted to. It has been overwhelming and humbling and even painful at times. But I could not stop loving her any more than I could stop breathing. I am hoplessly, irrietrievably in love with her. More than she knows.
- Barney Stinson.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
É engraçado como as pessoas têm ideias erradas sobre relacionamento. Frequentemente leio coisas como "você me completa" "você preencheu meus vazios" e fico pensando no quão essa delegação de responsabilidade pode sobrecarregar o outro e desestabilizar a relação. Pessoalmente, em meu relacionamento, eu não a quis para preencher meus buracos, tão pouco os espaços deixados por antigas relações. Eu não a quis para que me completasse. Eu a quis quando tive a certeza de que estava completa por mim mesma, tão plena que poderia iluminar um bairro inteiro, e então eu a quis. E eu a escolhi porque sabia que nós duas, juntas, poderíamos acender toda uma cidade com a nossa plenitude combinada. E eu sei disso porque ela, apenas com seu sorriso, consegue me transmitir a sensação de que há fogos de artifício no meu estômago.
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